ANA DIAS BATISTA

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Ana Dias Batista

Exaustores enterrados, 2021.

No telhado deste galpão havia cinco exaustores industriais: dois eólicos e três a motor, acoplados a chaminés de fibra de vidro.

Cavamos valas no piso, projetando, em planta, a posição que cada peça ocupava. A profundidade foi dada pela distância entre o topo das peças e a base da tesoura do telhado. Posicionamos os exaustores de ponta-cabeça, espelhados. A terra foi devolvida às valas e travou os exaustores. O trabalho foi executado pelos mesmos pedreiros que reformaram o espaço, e a superfície recebeu o mesmo acabamento do piso original.

O galpão abrigou uma gráfica e uma confecção, e está sendo adaptado para sediar um teatro. Os exaustores permanecerão sob os seus usos futuros.

Ana Dias Batista

1978, São Paulo, SP.

Vive e trabalha em São Paulo, SP.

“Grande parte do que faço é saturar características dos objetos do mundo, torná-las visíveis por reiteração. Operações de escala são recorrentes (Escalímetro, 2011; Eva, 2015; H16, Mendes Wood DM, São Paulo, 2013). Em alguns trabalhos, diversos objetos são justapostos e passam a partilhar qualidades, como se elas se transferissem de um a outro por contiguidade (o chapisco de cimento e o vidro texturizado em Crocante, de 2009, ou o papel marmorizado e as bolas de gude em Mármore, de 2014). Paralelismos, coincidências, repetições e analogias são ocorrências que interessam ao trabalho e atestam sua pretensão de organizar o mundo, de constituir linguagem (ver O que É, o que É?, de 2013, História, de 2012, e Cubo, de 2015). Mas o trabalho não realiza o que pretende, e detém-se nos desvios, nos ruídos, nas interferências, na diferença entre dois jogos de migalhas de pão que pareceriam idênticos (Migalhas, 2013), numa falha de registro da impressão offset (Moiré, 2013), no miolo de fechadura que gira infinitamente sem que nada se abra (Miolo, 2015).”

Site: http://anadiasbatista.com